A Assembléia Legislativa do Estado do Ceará homenageará,
em sessão solene, no dia 25 de agosto de 2008, a memória
do ex-deputado federal e médico Bezerra de Menezes, considerado
o Allan Kardec brasileiro do Espiritismo. A homenagem ao “Médico
dos Pobres”, nome com que se popularizou no Rio de Janeiro,
e depois no Brasil inteiro, esse grande cearense de Jaguaretama, foi
requerida pelo deputado estadual Fernando Hugo, do PSDB, também
médico. É que no dia 29 de agosto, toda a comunidade
espírita brasileira comemora os 177 anos de nascimento do Dr.
Bezerra, tido pelos espíritas como um dos seus ícones
espirituais e apóstolo da caridade, que presidiu a Federação
Espírita Brasileira de 1895 a 1900, quando faleceu, às
11 horas do dia 11 de abril. Bezerra de Menezes adotou e exemplificou,
em vida, os ensinos de Jesus Cristo, que o Espiritismo tem por modelo
e guia da humanidade, conforme consta da questão 625 de O Livro
dos Espíritos, a primeira das cinco obras básicas codificadas
por Allan Kardec, a partir de 1857. E Bezerra de Menezes é
exemplo dessa moral cristã, fundada no amor a Deus e ao próximo.
Antes de aderir publicamente ao Espiritismo, Adolfo Bezerra de Menezes
Cavalcanti, seu nome completo, participou da vida pública brasileira
como vereador por várias legislaturas à Câmara
Municipal do Rio de Janeiro, da qual foi presidente de 1878 a 1881.
Foi deputado federal em duas legislaturas também pelo Rio,
onde passou a residir desde que deixara o Ceará, aos 15 anos
de idade, e onde também se formou em Medicina em 1856. Na Câmara
Federal, defendeu as grandes questões sociais, como o fim da
escravatura, ao lado de grandes abolicionistas como o republicano
Quintino Bocaiúva, com quem colaborou no jornal O Paiz, com
o pseudônimo de Max. Ainda na vida pública, foi contemporâneo
de nomes ilustres como Rui Barbosa, Joaquim Manoel de Macedo, Afonso
Celso, Joaquim Nabuco, José Bonifácio – o Moço,
Saldanha Marinho, Bittencourt Sampaio, entre outros expoentes do parlamento
nacional da época.
Sobre a sua atividade de médico, escreveu o ex-deputado federal
Freitas Nobre na introdução do livro 33 da edição
Perfis Parlamentares, editada pela Câmara dos Deputados, na
gestão de Ulisses Guimarães: “Várias vezes
doou aos doentes necessitados tudo o que havia ganho durante o dia
no consultório. E costumava dizer que o médico verdadeiro
não tem o direito de aceitar a refeição, de escolher
a hora, de inquirir-se se é longe ou perto. O que não
acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado,
ou por ser alta hora da noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe
ou no morro, o que sobretudo pede um carro a quem não tem com
que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure
outro – esse não é médico, é negociante
de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos
da formatura.” Este é o perfil do homem de bem, do político
probo e do médico humano que a Assembléia do Ceará
homenageia não em nome do Espiritismo, mas do padrão
de bondade e moralidade, produto em baixa nestes dias de tantas necessidades.